Alunos de Irajá organizam workshop para ensinar professores a fazer vídeos para o Youtube

Não é novidade que as novas gerações estão cada vez mais ligadas ao digital.

 Desde cedo, as crianças já exercitam sua curiosidade nos smartphones e tablets, e, naturalmente, dominam a linguagem da internet com muita rapidez. Na Escola Municipal Malba Tahan, em Irajá, essa facilidade para lidar com conteúdos digitais, sobretudo os vídeos, colocou dois alunos no papel de educadores, ao menos por um dia: eles comandaram um workshop de vídeos para o youtube. O público-alvo? Os próprios professores da escola.
“A gente decidiu montar essa aula porque muitos professores têm dificuldade para criar um vídeo simples e que todo mundo goste”, justifica Geovanna Alves.
Ela conduziu o minicurso ao lado de Luan da Cruz, de 14 anos, que no seu canal faz tutoriais e gameplay de vários jogos para celular. Durante o workshop, os youtubers mostraram aos professores aplicativos para editar, fazer thumbnail e montagens para melhorar os vídeos. Para elaborar a aula, Geovanna e Luan contaram com a ajuda dos colegas Patrick Caldas e Luana Morais.
“Anotei todos os programas de edição que eles citaram e estou pensando seriamente em criar um canal do youtube. Às vezes eles ficam dispersos na sala de aula justamente porque o nosso modelo educacional ainda é um pouco antiquado. Quero criar algo que eles queiram acessar”, analisa Natália do Nascimento, professora de português.
Como a produção de vídeo gera bastante interesse entre alunos e professores, a ideia é que o curso vire uma matéria eletiva na Malba Tahan. A iniciativa dos alunos também chamou a atenção dos responsáveis pelas Naves do Conhecimento da cidade, que acompanharam as atividades.
“Minha mãe sempre me fala que ela sabe mais das coisas; agora, eu sei mais das coisas. É legal ensinar pessoas maiores que eu a fazer uma coisa que conheço bem”, afirma Luan.
Professores apoiam o uso da tecnologia nas aulas
A sala de aula tradicional, com os alunos sentados em carteiras atentos à explicação do professor na lousa, cada vez faz menos sucesso entre os alunos, e os professores estão atentos a essa mudança. Para prender a atenção de estudantes que tuitam, veem TV e escutam podcast ao mesmo tempo, eles estão dispostos a mudar a rotina das aulas.
“A internet deixa o aluno muito livre, ele é o produtor do próprio conhecimento, e os pais e professores ficam com medo de perder o controle. A gente tem a mania de querer controlar o processo educacional da criança e do adolescente, mas temos que aprender a lidar com a insegurança e deixá-los utilizar a tecnologia”, afirma Natália.
A Secretaria Municipal de Educação (SME) também monitora esse cenário e, através de sua Gerência de Inovação e Tecnologia Educacional (GITE), promove formação de professores e ajuda na inovação dentro das salas de aula e da gestão.
Uma das alunas do workshop, a professora de inglês Aniger Capano avalia que a diversidade de conteúdo trazida pelas plataformas digitais ajuda no processo de aprendizagem.
“Na sala de aula, se o aluno não aprende de uma maneira o professor tenta explicar de outra. No youtube, é a mesma coisa: o aluno tem a oportunidade de assistir a aula do professor dele e outros professores, até achar a explicação que ele entende”.