Carta do Secretário Municipal de Educação César Benjamin

Aos profissionais da Rede Pública Municipal da cidade do Rio de Janeiro

 

Rio de Janeiro, 4 de janeiro de 2017

Assumi anteontem, em 2 de janeiro, a chefia da Secretaria Municipal de Educação, que absorveu a antiga Secretaria Municipal de Esportes e Lazer. Só conseguirei dar conta dessa imensa tarefa com a ajuda de todos.

Estudei durante toda a vida em escolas públicas – o antigo curso primário na Manoel Cícero e o antigo ginásio no Colégio de Aplicação da então Universidade do Brasil, hoje UFRJ. Não hesito em dizer que esse período, que corresponde ao atual ensino fundamental, lançou as bases da minha vida intelectual até hoje. Aprendi, desde então, a gostar de estudar. A lembrança dessas lindas escolas – uma municipal, outra federal – esteve fortemente presente na minha decisão de aceitar o convite do prefeito Marcelo Crivella.

Uma segunda lembrança me impulsionou. Trabalhei na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social na década de 1980, onde conheci muitos heróis anônimos – assistentes sociais, agentes de educação e saúde, professores, engenheiros –, verdadeiros servidores públicos. Aprendi a admirá-los e apreciei a convivência com eles.

É o que encontrarei agora – tenho certeza – na SME. Pessoas que dedicam a vida à educação compartilham uma vocação muito especial. Senti-me atraído pelo potencial humano que imagino existir na SME e sei que não me decepcionarei.

Não ambiciono seguir carreira política, como não segui até hoje, e não permitirei que a SME seja usada politicamente. Em nosso convívio, vocês poderão perceber que o que me trouxe aqui foi o sentimento sincero de patriotismo e de entrega a uma causa – a causa do Brasil –, que me acompanha desde a juventude. A omissão não é uma boa postura cidadã, especialmente quando o país atravessa crise tão grave.

Tampouco entro na Secretaria com uma visão negativista em relação aos(às) que me antecederam. Todas as boas iniciativas serão mantidas, buscando-se realizar em cada uma os aperfeiçoamentos pertinentes. Novos programas só serão lançados após grande amadurecimento coletivo. A SME não precisa de um salvador da pátria.

Agradeço à secretária Helena Bomeny e à sua equipe a maneira carinhosa como fui recebido. Agradeço também a todos os especialistas em educação – foram vários – que me ajudaram e me incentivaram.

Trouxe comigo apenas quatro assessores. Todos os cargos relevantes permanecerão ocupados por funcionários de carreira. Nenhuma negociação política haverá em torno deles.

Passada a fase inicial, que exige muitas reuniões no próprio gabinete e em seu entorno, iniciarei uma agenda permanente de encontros e conversas com grupos de diretores, professores e funcionários nas próprias escolas, além de alunos e pais de alunos, a fim de construir uma visão realista das condições em que nossa rede opera. Manterei diálogo, também permanente, com a representação sindical dos funcionários, com os conselhos já constituídos e com a Comissão de Educação da Câmara de Vereadores. Mesmo diante de eventuais divergências, sei que prevalecerão a boa-fé e o sentimento de que temos diante de nós uma grande missão.

Expressões tão comuns, como valorização de professores e demais funcionários ou formação continuada, não podem ser meros slogans. Precisaremos encontrar juntos os melhores procedimentos que as tornem realidade.

Proponho, desde já, um pacto entre nós: todas as crianças entregues aos nossos cuidados desenvolverão, na idade adequada e com proficiência, o domínio pleno da leitura, da escrita e do manejo dos números, que é a base do que vem depois. Isso deve ser um ponto de honra, uma meta clara que orientará nossos melhores esforços.

Se pensarmos na história da nossa cidade desde os tempos do Distrito Federal, e se incluirmos o estado do Rio em nosso horizonte, então assumo o posto que, entre outros, já foi de Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Maria Yeda Linhares e Darcy Ribeiro – este último, um amigo e um herói pessoal para mim.

Peço a ajuda de vocês para que possa estar à altura deles.

 

Muito obrigado.

 

César Benjamin