Contra medidas de Bolsonaro, trabalhadores da Educação preparam greve geral

Contra medidas de Bolsonaro, trabalhadores da Educação preparam greve geral

Érica Aragão – CUT Brasil 

Em todas as regiões do País, os trabalhadores e as trabalhadoras da Educação atenderam ao chamado da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) para participar da 20ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública e fizeram atos de preparação para a greve geral da educação no próximo dia 15 de maio em diversos estados.

Os atos e mobilizações realizados na quarta-feira (24) fazem parte da agenda da semana de mobilização, que encheu as ruas, praças, sindicatos e assembleias legislativas de trabalhadores e trabalhadoras da Educação que denunciaram os prejuízos que a reforma da Previdência vai provocar na categoria e os descasos com a educação pública por parte do governo de Jair Bolsonaro (PSL) e seus aliados.

Eles também denunciaram retrocessos e perigos que inúmeras medidas que estão sendo tomadas em sentido contrário aos direitos assegurados na Constituição Federal representam para a educação no Brasil. Entre elas, a Lei da Mordaça, a privatização da escola e da universidade pública, a desvinculação de recursos para a educação, a militarização das escolas, a implantação de conteúdos mínimos e direcionados a uma formação escolar adestradora, além dos constantes ataques aos trabalhadores e trabalhadoras em educação, que afetam negativamente não apenas a valorização dos profissionais, mas a qualidade de todo o sistema educacional.

“Diante de todo este cenário de descaso com a educação e de ataque à classe trabalhadora, com esta nefasta reforma da Previdência, o dia 15 de maio será fundamental para barrarmos estes retrocessos. Já temos vários apoios para esta greve e a mesma se configurará num marco de outras paralisações futuras. A luta só começou”, afirmou o secretário de Assuntos Educacionais da CNTE, Gilmar Soares Ferreira.

No Rio de Janeiro, onde os trabalhadores e as trabalhadoras do Estado estão sem reajuste há cinco anos, 60 municípios se mobilizaram em defesa da educação democrática, laica, pública e de qualidade e contra reforma da Previdência.

Em Jacarepaguá, onde o transporte público é precário e com uma população carente, inclusive de informação, o Sindicato dos Professores do Município (SinproRio) e o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do RJ (SEPE) foram para a rua na hora do almoço e fizeram um ato, conversaram com a população sobre o descaso com a educação, os impactos da reforma da Previdência, coletaram assinaturas para o abaixo-assinado contra o fim da aposentadoria e distribuíram panfletos e mais de 5.000 cartilhas da CUT e demais centrais sindicais sobre o tema.

“Fomos bem recepcionados e sentimos a necessidade que a população e os trabalhadores têm em relação à falta de informação sobre a reforma e os descasos com a educação no país e no Estado. Prometemos voltar, mas também vamos para outros espaços para conscientizar e mobilizar o Estado para a greve geral da educação no dia 15 de maio”, contou a secretária de Comunicação da CUT Rio, Duda Quiroga, que também é educadora e dirigente do SinproRio.

Na parte da tarde, a categoria participou de uma assembleia realizada na Praça XV.

Veja como foram as mobilizações deste dia  em vários outros Estados:

Em Pernambuco, teve um ato público contra a reforma da Previdência rumo à greve geral da educação na Estação Ferroviária Cabo e logo em seguida uma plenária na Câmara Municipal dos Vereadores para denunciar os ataques à educação no Estado.

No Ceará, os trabalhadores e as trabalhadoras da educação do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sindute) e do Sindicato dos Servidores Públicos lotados nas Secretarias de Educação e de Cultura do Estado do Ceará (Apeoc) mobilizaram suas bases para a greve geral da educação, visitando as escolas, fazendo assembleias nas regionais e definindo por local de trabalho paralisações para o dia 15.

Em Sergipe, os trabalhadores e as trabalhadoras da educação fizeram uma caminhada com concentração na Praça da Bandeira com paralisações nos locais de trabalho organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Sergipe (Sintese). O protesto é contra reforma da Previdência, pelo reajuste do piso e retomada da carreira do magistério. O ato também foi um esquenta para a greve geral da educação.

No Mato Grosso do Sul, a Federação dos Trabalhadores em Educação do Mato Grosso do Sul (FETEMS), tem uma agenda de seminários para a 20ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, chamada pela CNTE, até o dia 03 de maio. Nesta quarta, o #DigaNãoÀReformaDaPrevidência foi na Câmara Municipal, em Campo Grande.

No Mato Grosso, mais de 50 municípios dos 141 mandaram notificação de paralisação para esta quarta para cobrar valorização salarial e uma mobilização contra a Reforma da Previdência. Organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público (Sintep-MT), as aulas foram suspensas em 128 escolas do estado, que corresponde a 30% do total de 368 unidades.

Na Bahia, professores paralisaram suas atividades por 24 horas contra reforma da Previdência de Bolsonaro e promoveram uma palestra na Câmara Municipal organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB). Também teve aulão e paralisação dos Professores na Praça da Piedade. Integrando às atividades da Paralisação Nacional da Educação contra a Reforma da Previdência, em todo o interior da Bahia e capital os trabalhadores em Educação paralisaram suas atividades e promoveram atos de protesto e conscientização contra a Reforma da Previdência proposta pelo Governo de Bolsonaro.

No Piauí também teve paralisação estadual da educação contra reforma da Previdência e por valorização profissional.

Em Alagoas, o Sinteal está realizando uma Jornada de Debates em diversas escolas da rede pública. Nesta manhã, dirigentes do sindicato foram recebidos na Escola Estadual Campos Teixeira, no bairro do Poço e os sindicalistas aproveitaram o momento para também abordar sobre como a reforma da Previdência atinge gravemente a vida de todos na escola.

Em Tocantins, o município de Aparecida do Rio Negro decretou Estado de greve contra o descaso e a negligência com que o Prefeito Deusimar Pereira Amorim vem tratando a Educação. A categoria está há cinco anos recebendo reajustes abaixo do estipulado pelo Piso Salarial do Magistério.

“Nesse momento, denunciar os ataques aos direitos previdenciários tem sido tarefa central em nossa luta. A 20° Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, rumo a greve geral da educação, no dia 15 de maio, requer organização e luta para o enfrentamento ao atual desmonte dos nossos direitos”, afirmou a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT Tocantins, Cleide Diamantino, que também é professora municipal.