Mandetta diz que ‘semanas duras’ estão por vir no combate ao coronavírus

Leandro Prazeres, Renata Mariz, André de Souza e Daniel Gullino 

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O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse nesta sexta-feira que a pandemia do novo coronavírus será superada com dor, e que ele não vai “tampar o sol com a peneira”. Mandetta destacou, durante a entrevista coletiva, que o que vem pela frente é preocupante.

— Não existe superar sem dor. Serão semanas duras. Serão dias difíceis. Não estamos aqui para tampar o sol com a peneira não. Mas faremos com o máximo da nossa inteligência, com o máximo do nosso denodo, sempre pensando no paciente, sempre pensando na preservação do maior número de vidas — disse Mandetta.

Segundo ele, a ideia é fazer um “painel nacional” para enfrentar a epidemia:

— Quando tiver um problema maior na cidade A, a gente vai à cidade B, que está calma, reforça um pouco aqui, e vai trabalhando esse nosso barco com muita dificuldade. Mas vamos ver se a gente consegue ir balanceando e utilizando a a vantagem que a gente tem, de ter o Sistema Único de Saúde.

O ministro disse que está preocupado com todo o Brasil e que mesmo uma “cidade pequenininha” pode ter problema. Mas ele chamou atenção para alguns grandes centros do país. É o caso de São Paulo e Rio de Janeiro.

— É claro que nós temos uma cidade muito grande como é São Paulo, que tem 22 milhões na Grande São Paulo, onde uma espiral ali seria muito intensa. Temos um Rio de Janeiro, que a gente tem chamado atenção desde o início, que possui áreas de exclusão social com muita aglutinação de pessoas, difícil de fazer isolamento — afirmou.

Sobre a capital do país, o ministro explicou os números:

— Brasília, pelo fato de inúmeros voos internacionais, e muitas pessoas domésticas, voos de São Paulo, voos do Rio o dia inteiro para cá quando o Congresso está aberto, quando ela está efervescente. A cidade é cosmopolita. Por isso Brasília também um índice elevado.

Ministro diz que não vai ‘abandonar o paciente’

Durante a entrevista de ontem, o ministro Luiz Henrique Mandetta teve que responder a perguntas sobre as críticas públicas que tem recebido do presidente Jair Bolsonaro. Ao ser questionado se pensava em deixar o governo, ele afirmou que “médico não abandona o paciente”.

— Quanto a eu deixar o governo por minha vontade, eu tenho uma coisa na minha vida que eu aprendi com os meus mestres: “Médico não abandona paciente, meu filho”. Eu já cansei de terminar plantão na minha vida, e o plantonista que tinha que chegar para me render, para eu poder ir embora, não aparecer, por problemas quaisquer, e eu ficar 24 horas dentro do hospital — declarou.

Na quinta-feira, Bolsonaro afirmou que ele e Mandetta têm se “bicado há algum tempo” e que o ministro da Saúde “extrapolou” em meio à crise provocada pelo novo coronavírus. O presidente afirmou ainda que nenhum ministro é “indemissível”.

— O foco é do serviço. É do trabalho. Esse paciente chamado Brasil, quem me pediu para tomar conta dele neste momento é o presidente. E eu tenho dado para ele todas as informações. E entendo, entendo. Entendo os empresários que se queixam a ele. Entendo as pessoas que veem o lado político e colocam a ele. Entendo as pessoas que gostariam que a solução fosse uma solução rápida — acrescentou o ministro da Saúde.

Dificuldades com respiradores

Mandetta também admitiu que o Brasil tem tido dificuldades para comprar respiradores e outros insumos de auxílio no combate ao coronavírus e reforçou a necessidade de que as pessoas diminuem a atividade social para reduzir o avanço do contágio no país.

— O mundo inteiro compra da China, isso fez com que atravessássemos fevereiro e março sem adquirir de lá — disse, citando o fato que o país, que foi a origem da Covid-19, voltou inicialmente a sua produção de insumos apenas para abastecer o mercado interno.

— Temos aí uma coleção de problemas que vão se somando neste mercado.