Professores da rede municipal aprendem técnicas de gamificação

O perfil do aluno contemporâneo é bem diferente daquele de alguns anos atrás, que passava longas horas copiando textos do quadro negro.
 Para ser ouvido hoje em dia e cumprir seu papel como educador, o professor precisa se adaptar a uma realidade onde os estudantes têm a atenção disputada por diversos canais de comunicação. Por isso, o ambiente escolar precisa ter uma dinâmica nova, que consiga capturar a atenção do aluno do século 21. Na Secretaria Municipal de Educação (SME), a missão de propor novas técnicas de ensino fica a cargo da Gerência de Inovação e Tecnologia Educacional (GITE), que esse ano aposta na gamificação como uma alternativa capaz de engajar mais os estudantes e aumentar o rendimento das turmas.

 

Para levar aos professores da rede essa ideia, a GITE organizou, no começo de março, um workshop de gamificação na Escola de Formação do Professor Carioca Paulo Freire, no Centro do Rio. A proposta é levar características dos games para dentro da sala de aula, o que pode ser feito de diversas formas. Por exemplo, pedir que os alunos criem avatares e formem grupos, que vão cumprir missões determinadas pelo professor, cada uma com uma pontuação específica.
“Com isso, a gente pretende ter um engajamento maior dos alunos nas tarefas e na própria execução, porque você cria uma sala de aula mais interativa. Os alunos ficam motivados e passam a acionar outros canais para pesquisar, realizar uma missão”, conta Gisele Cordeiro, da GITE.
Experiência bem-sucedida
Um dos participantes do workshop, o professor de matemática Thiago Fortunato já utilizou as técnicas de gamificação nas suas aulas. Segundo o professor, ele estava fazendo perguntas a alguns alunos durante uma aula de divisibilidade e, em dado momento, todos perceberam que aquilo ali estava parecendo um jogo que todos conheciam: adedonha.
“A partir daí, a gente passou a aprimorar mais esse jogo, primeiro com os divisores, os múltiplos, e então trabalhamos diversas habilidades que os alunos já tinham e não sabiam mas foram incentivados devido ao uso de um jogo”, explica o professor.
Além do maior engajamento, Thiago Fortunato conta que a gamificação ajuda a tirar o medo que alguns alunos sentem de cometer erros durante as aulas. Nos jogos, todos aceitam que tentativa e erro são fundamentais para avançar, ideia que também é muito útil no processo de aprendizagem em sala de aula. Quando os dois universos se unem, a vergonha de cometer um erro em sala diminui, e os alunos se expressam mais.
“As tentativas, que na matemática são primordiais para adquirir novas habilidades e conhecimentos, são feitas de maneira mais suave, divertida. Não parece que eles estão numa atividade de matemática, parece que estão só se divertindo”, afirma o docente.
O workshop de gamificação é o primeiro de uma série que a GITE vai organizar ao longo do ano. Após cada encontro, os professores vão preencher um formulário de avaliação da atividade. Se ela for bem recebida, pode virar um curso de formação. Em abril, os professores vão aprender sobre habilidades socioemocionais na escola.